Saturday, October 24, 2009

Livro do Dia - O Trabalho do Actor de Cinema, de Assumpta Serna


Como recentemente o autor deste blog participou numa curta-metragem, resolveu servir-se deste livro, comprado havia há muito e nunca lido, apesar de tão claro e bom e útil para os actores. Escrito por um actriz.

Nos seus muitos capítulos fala-se de se ser Actor de teatro, das Vantagens para representar em cinema. Fala-se de Castings, de Vídeo de promoção (Demo-real), do que não devemos fazer e do que devemos fazer. E assim por diante.

Este belo livro de amor ao actor pode ser comprado aqui.

Friday, October 23, 2009

Este Blog saúda a nova Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas



Depois da inacreditável enormidade de pôr um jurista a gerir a Cultura de Portugal, é refrescante saber que alguém realmente ligado à Cultura vai administrá-la.

Beijamins - Festival para a Infância e Juventude













Durante o próximo mês de Novembro o Beijamins - Festival para a Infância e Juventude terá uma extensão em S. Tomé e Príncipe.

Um mês de espectáculos, exposições, filmes, debates e formação.

A iniciativa, promovida pelo TeatroArado, é o resultado da política de formação de públicos e cooperação com os países africanos de expressão portuguesa que a companhia tem vindo a desenvolver nos últimos anos.

Monday, October 19, 2009

Stanislavski - em português - um achado - hoje, num alfarrabista




custou-me 12 euros e pareceu-me que era Natal; indeciso entre dar o que valia para mim ou comprar mais livros, comprei mais livros: parecia-me menos excessivo.

este não é somente o livro do dia mas também o de todos os dias - porque nenhum outro fala tanto da criatividade.

Artes Performativas - Novos Discursos, com Roger Copeland

A NÃO PERDER! NA ESAP! NO PORTO!


Saturday, October 10, 2009

O Marinheiro, de Fernando Pessoa, pelo Teatro Plástico - Crítica





















No Porto, temos ainda até amanhã para sermos arrebatados por uma improvável peça extraordinariamente posta em cena: O Marinheiro, de Fernando Pessoa, pelo Teatro Plástico, direcção de Francisco Alves.

Esta é a única peça publicada em vida de Fernando Pessoa e é intrincada: três mulheres, irmãs, velam o corpo de uma quarta durante uma noite e, falando entre si, uma delas conta um sonho com um marinheiro. Isto será o enredo mas... as personagens não têm identidade definida, as suas acções são ténues, e o seu diálogo é poesia completa, como se fosse um único poema que em coro vão distribuindo entre si durante a espera que fazem.

Peça complicada, com elevadas hipóteses de fracasso. Leia-se tédio ou aborrecimento ou desconexo ou falta de sentido. Sempre me pareceu irrepresentável. No entanto até hoje me parecera irrepresentável: depois desta encenação penso de outro modo.

Pois hoje vi uma imensidão de sentidos, vi cada frase abrir-se para mim do que conhecia e não conhecia do Pessoa, vi na verdade estalarem pequenos conflitos entre as irmãs, e vi identidades. Vi expressão onde podia ter só existido verborreia, vi precisão - quando a precisão interessa-nos ao se ser preciso a atingir a beleza, ou os sentidos do espectador e, por conseguinte, a sua alma.

Vi como é possível o teatro revelar o que nem a leitura nos dá.

Vi abrir-se para mim uma colossal e invejável obra que dá vontade de reler e fazer e ver mais. Vi uma verdadeira encenação, com interpretações fortíssimas porque maduras de um trabalho tão coeso, tão sólido e sempre supreendente, tão tornado sensível que, como este, não se vê frequentemente.

Domingo dia 11 é o último dia. Se ainda não foi, vá.

Nota: Além da qualidade da peça, além da generosa conversa com a equipa criativa no final da apresentação, além de tudo isto o programa tem um ensaio inédito de Teresa Rita Lopes sobre Pessoa e o "Teatro de êxtase". Se isto não é uma ocasião, já não sei o que o é.

Sunday, October 4, 2009

A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, pelo Teatro da Terra - Crítica

A Casa do Disparate

Foi-nos dado a ver, no dia 2 de Outubro, no Porto (no Teatro do Bolhão) o que talvez seja a pior das peças dos últimos tempos e sem dúvida a mais desastrada versão da peça de Lorca.

Tenho certas dúvidas de que qualquer grupo (por exemplo amador) pudesse errar tão disparatadamente quanto este recente Teatro da Terra, na encenação de Maria João Luís.

Imagine-se todos os elementos teatrais, do som à dramaturgia, da cenografia à interpretação e imagine-se tudo truncado, teremos assim uma ideia do que foi esta representação.

Imagine-se uma mulher idosa a fazer de mulher idosa e uma mulher nova a fazer de idosa, temos aqui a opção do Teatro da Terra para as personagens de María Josefa, mãe de Bernarda (que terá 80 anos) e da criada Poncia (que terá 60)- comprometendo tudo o que se seguirá;

Imagine-se que o Teatro da Terra não conseguiu (!)encontrar actrizes para as personagens das filhas de Bernarda com a idade aparente de 20 a 39 anos e todas elas pareçam ter não só a mesma idade como não ter razão para o conflito da mais velha se casar somente por ser a herdeira;

Imagine-se que a fortíssima personagem de Bernarda Alba (Custódia Gallego) nos aparece em cena com uma ridícula peruca grisalha, enfiada na cabeça como um capacete, superado apenas pela igualmente ridícula peruca de Magdalena (Inês Castel-Branco), esta negra mas também capacete - quando todas as outras não tinham senão o seu cabelo natural, longo ou não;

Imagine-se em cena, e à boca de cena, dois simbólicos e gigantescos novelos de fio vermelho, com uma também gigantesca agulha lá trespassada, constrastando alegremente com as cadeiras de aparência antiga que são ora trazidas ora levadas, ou com a água de verdade com que a criada lava o chão;

Imagine-se um elenco a entrar em cena rouco, e a obstinar-se por continuar rouco, gritando a plenos pulmões em todas as cenas - com três excepções: as actrizes que fazem de criada, de Amélia e de María Josefa (Cremilada Gil esta última - não conseguimos apurar o nome das restantes);

Imagine-se - e aqui entramos no pernicioso desta representação - que as actrizes gritam porque não há senão violência nesta peça. Violência ensandecida, injustificada, gritaria e nada mais. Como se o grande poeta García Lorca tivesse escrito esta peça para que se representasse como a mais idiota imagem da violência familiar, como se fosse apenas o paroxismo da discussão, sem se perceber que elas ficarão fechadas durante os anos de luto da morte do pai, sem se perceber que estas mulheres são mulheres e não cães, e que nem mesmo os bichos se agridem constantemente; sem se perceber que esta peça não é a colecção de neuróticas e paranóides que se representou;

Imagine-se uma peça onde as suas personagens estão condenadas a ficar durante oito anos numa casa - no vicejar das suas vidas e desejo - por altura da morte do pai e a mando da mãe: imagine-se então que de todos os matizes para esta situação (luto, pesar, confusão, esperança, revolta, rebeldia, rancor, raiva, desespero, ilusão, sonho) a encenadora tenha escolhido um só (a raiva) e assim se representem as relações entre irmãs e entre filhas e mãe;

Imagine-se que na peça que Lorca escreveu a filha mais nova (Adela) se revolta contra a mãe quebrando-lhe o bastão em dois, quando aqui a esbofeteia (?);

Imagine-se que num elenco de onze actrizes só duas parecem representar - sem gritos constantes, sem disparates, falando somente - Cremilda Gil e a actriz da personagem Amélia, sendo que estas terão sobrevivido à direcção (ou ausência dela) de Maria João Luís;

Imagine-se que a actriz-cantora Ana Brandão na personagem inacreditável de Poncia, parece ser uma anedota viva, fazendo da sua voz um circo de entoações, estragando-a para descer de timbre;

Imagine-se que esta peça, como a escreveu García Lorca, é uma tragédia e - pasme-se -não foram raras as vezes em que o público riu em uníssono de cenas tão pouco risíveis como o anúncio da morte de Pepe Romano, o rapaz que atiçou o desejo e desencadeou a catrástofe:


Angustias
Deus meu!

Bernarda
A espingarda! Onde está a espingarda? (sai correndo)

(...)

Adela
Ninguém poderá comigo!
(vai para sair)

Angustias
(segurando-a)
Daqui não sais tu com o teu corpo em triunfo, ladra! Desonra da nossa casa!

Magdalena
Deixa que se vá para onde não a vejamos nunca mais!

(soa um disparo)

Bernarda (entrando)
Atreve-te a procurá-lo agora.

Martírio
(entrando)
Acabou-se o Pepe Romano.

RISOS DO PÚBLICO

é isto possível?

Possível é que uma actriz extraordinária como Maria João Luís seja um desastre de encenadora, errando todas as escolhas - da distribuição e casting do elenco, da cenografia, de figurino, da pobríssima movimentação de cena e acertando APENAS na presença das actrizes junto às pernas do palco, na penumbra.

Possível é que uma boa actriz e cantora como a Ana Brandão se amesquinhe fazendo uma personagem que não é para si e de um modo que não é para ninguém, senão para uma anedota de criada.

Possível é que os melhores momentos nos tenham sido dados pela actriz de Amélia, entre o receio, o choque, a reserva e - lufada de ar fresco - sem gritos.

Possível é que tenha sido perdido o tempo e dinheiro a ver a peça, dado ser um disparate, e só por fé e indignação tenha investido o tempo e pensamento para escrever sobre essa disparatada perda.


Desgraça não foi a das filhas de Bernarda fechadas em casa, foi a nossa de estarmos fechados com elas.

 

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