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Saturday, November 28, 2009
Reposição de "Tabacaria + O Oitavo Poema de O Guardador de Rebanhos" de Álvaro de Campos e Alberto Caeiro - monólogo
Wednesday, November 25, 2009
Citação de Stanislavski
"As aulas de canto que damos a vocês, alunos, não são meros exercícios para colocar a voz durante aquela determinada hora. Em aula vocês têm que aprender as coisas que deverão ser praticadas, primeiro sob o controle de um treinador experiente e depois independentemente, em casa e em toda parte onde forem, durante todo o dia."
A Construção da Personagem. (1994) 7ª edição, Civilização Brasileira. Pág. 128
Que brilhante formulação da semente que é o ensino artístico.
Friday, November 20, 2009
A minha escola
A minha escola, como actor, como professor, como tudo que eu seja, foram as artes marciais.
A verdadeira escola, que é a base do pensamento e comportamento foram de facto as artes marciais. Antes mesmo de me ter ocorrido o teatro ou semelhantes.
A minha escola, antes de ter cursado teatro e praticado teatro, foram as artes marciais porque foi aí intuitivamente que me encaixei, que senti que respeitava algo e havia um património e legado a manter.
Foi aí com quatorze, quinze anos que me eduquei. E digo me eduquei pois antes de qualquer aprendizagem formal já eu me treinava e sabia que para atingir a habilidade tinha que dominar o meu corpo. Já nessa altura, muito antes de ouvir falar de motricidade ou psicomotricidade ou antes mesmo de pensar que coisa era a técnica.
E muito antes de entrar numa aula de teatro ou num ensaio já eu me educara - por ter sido a escolha do que eu queria - a nunca faltar a uma aula, ou a um treino em casa, sózinho, para dominar e preservar em mim a técnica, que era o saber e o ser da arte marcial.
Muito antes das regras já eu praticava as regras.
Muito antes de ler fosse o que fosse de técnicas teatrais e pensar na ética já eu me tinha educado na observação das normas, da hierarquia por saberes, mestrias e experiências. Muito antes de tudo já eu estava a cultivar o meu corpo e a minha mente para que fosse chão arável.
Muito antes de saber o que era técnica e estímulos, me preparava em casa para as provas que tinha de fazer para entrar na Escola de Teatro que tinha escolhido.
Preparei-me pensando sempre que - como nas artes marciais - se se pode fazer, pode-se treinar e melhorar até à excelência ou, pelo menos, ao seu domínio confortável.
Passaram-se vinte ou quase vinte anos desde que isto começou. Ainda penso da mesma maneira. E choca-me lidar em todos os lados por onde tenho passado com alunos que não fazem a mínima ideia de como se preparar, que não têm a mínima ideia de regras de conduta - e, portanto, de como tornar pronto o seu chão para se arar.
Choca-me pois ninguém tem controlo material sobre o que faz, desde grupos de amadores, a teatros universitários passando por cursos superirores vocacionais ou não.
Ninguém consegue pensar em metas e domínios do que tem a fazer: se um texto é para decorar é fácil de o fazer, decorando-o; se se tem dificuldade a ler em voz alta, é fácil resolvê-lo... lendo em voz alta; se há uma hora de começo da aula ou do ensaio, essa hora é a hora de começar e não a de chegada; se há roupa com que se começa então é só metê-la no saco no dia anterior; se no ensaio é para ouvir e fazer, basta não se falar; se... e se... e se... e se...
Não há normas dentro de ninguém porque ninguém se educou.
E eu serei um caso raríssimo, num meio quase rural, a inventar por mim e para mim o que havia de me tornar possível ser o que queria ser. Espero bem que o futuro me prove o contrário. Por enquanto ainda estou no grau quase zero de tudo.
Monday, November 9, 2009
Doença do Teatro: síndroma da mosca na sopa

Como com a madeira, ou o papel ou outros materiais quase vivos, existe um bichinho, uma doença no teatro que tudo corrói. Como num jogo quando um participante se levanta a dizer que Isto é Estúpido/Ridículo/Está mal feito o teatro também é atingido por essa bactéria de propagação rápida a que chamaremos o Desprazer.
O Desprazer está muito difundido entre os artistas e os criadores de teatro em especial.
Em vez do Prazer que procuramos todos, há qualquer coisa que impede muita gente de teatro assistir a teatro sem ser necessariamente com Desprazer.
(É óbvio que há aqui uma relação nociva com o Teatro, mas esse assunto tão bem desenvolvido na tese de Isabel Alves Costa e que se prende com o relaciomaneto com o Desejo de Teatro, não nos ocupará agora.)
É como se um actor fosse ver outros actores à procura da mosca na sua sopa. Isto é nocivo e é uma doença. Isto é pernicioso como um bicho que rói sistematicamente madeira ou semelhantes.
Isto é um comportamento recorrente ainda por cima. Disfarçado de desculpa lá é que não consigo deixar de ver com o meu olho clínico, ou só consigo ver de um modo técnico.
Sabemos bem, na situação de incultura em que nos encontramos, que não há conhecimento de técnica que suporte isto, não há conhecimento de gramática teatral que fundamente isto.
Há sim um sentimento daninho que inquina tudo, a começar pelo próprio artista.
Mas a nossa resposta é não responder na mesma moeda. Vemos, apreciamos, pensamos e falamos como seres civilizados com os criadores, cientes de que estamos no fluxo vivo de um processo criativo que é difícil de invocar e muito fácil de amarrotar.
Thursday, November 5, 2009
Estreia hoje: Amanhã Continuamos a Inventar as Coisas, no Contagiarte

"Amanhã, continuamos a inventar as coisas"
Duas personagens desconhecidas, Ela e Ele, cruzam-se, algures, numa qualquer cidade. Entre eles, está uma mala.
Num zig-zag de caminhos de aproximação e repulsa o drama da solidão humana ganha forma. Um drama que neste espectáculo é muitas vezes transformado em farsa, como se de conversas entre duas crianças se tratasse... os actores brincam às casinhas.
E a mala?
Adaptação da peça "Sopinhas de Mel" de Teresa Rita Lopes
Interpretação: Margarida Fernandes e Rui Oliveira
Direcção/Dramaturgia: Ana Saltão
Assistência de Direcção: Nuno Meireles
Cenografia/Figurinos: colectivo
Design Gráfico: Paulo Gomes
Desenho de Som: Hugo Gomes (Osga)
Desenho de Luz: Rui Oliveira
Fotografia: Hugo Lima
Comunicação: Daniela Reis e Thomas Gawrisch
Operação Técnica: João Pedro Jorge e Nuno Meireles
Produção: Acaro
Reservas
Tel: 222000682 (16h30 / 20h30)
Da necessidade de mestres - Stanislavski, Shakespeare

Precisamos de mestres. Sempre precisámos e agora, no caos do pós-pós-modernismo ainda precisamos mais, como outrora (ou ainda hoje?) se precisou de Deus.
Precisamos de acreditar em alguém, alguém que nos ultrapasse e - do passado - nos tenha ultrapassado extraordináriamente. Precisamos de saber que houve quem tivesse dado passos de gigante e precisamos - no teatro - de saber que não começou tudo quando começámos.
Precisamos de mestres porque é a nossa criatividade e sensibilidade que está em causa. E um mestre é um caminho. Precisamos de caminhos. Eu não acredito em nenhum caminho original de alguém vivo. Demasiado novo. Demasiado recente. Demasiadamente não-validado. Precisamos de anos e anos de experiências. Precisamos, não de inventar o teatro que fazemos mas de aproveitar o teatro que foi feito e deixado para nós o continuarmos. Precisamos dos romances de aprendizagem de Stanislavski onde a criatividade é colossal, e precisamos da complexidade de pessoas e intrigas e significados e formas de Shakespeare.
Precisamos de nos radicar. Uma árvore sem raízes não chega a ser árvore. Precisamos de nos filiar em algum mestre. Pode ser Stanislavski ou Meyerhold ou outro assim, pode ser algum destes revolucionários. Pode ser Shakespeare ou Gil Vicente. Pode ser. Mas precisamos de caminhar em alguma direcção.
Agora estamos no quase nada, quase nada de saber como fazer as coisas (e as coisas é a criatividade, é a poesia), estamos no quase nada de referências pertinentes, teatrais. Precisamos de admiração. Stanislavski admirava o actor italiano Salvini. Nós admiramos Stanislavski. É uma direcção. Uma aprendizagem.
Precisamos de vir de algum lado, algum lado maior que uma cidade ou uma escola ou a sala de uma escola. Precisamos de vir da Rússia do princípio do séc.xx - por exemplo - ou da Inglaterra Isabelina.
Precisamos disso porque sem mestres somos só nós, num eterno arrabalde de tudo, a tentar ensinar a criar a nós mesmos. 
