Hoje, dia da Greve Geral, agenda-se um abraço ao Teatro Nacional S. João. Este mudará de modelo de gestão, o que implica outra distribuição de poderes e eventualmente de dinheiros, que por sua vez já foram diminuídos entretanto e etc.
Portanto vai-se abraçar o Teatro Nacional S. João, no que será um abraço simbólico ao teatro todo, ao teatro da região norte, ou ao teatro dos que se sentem desfavorecidos e etc.
No entanto, por mais simbólica e semioticamente importante que seja esse gesto, a verdade é que não se vai abraçar nenhum grupo ou grupos realmente desfavorecidos; não se vai abraçar uma companhia sem rede; não se vai abraçar criadores em dificuldade, ou emigrados, ou exilados; não se vai abraçar senão um grande edifício de teatro, bonito, quente, aristocrático.
Vai-se abraçar esse ideal e a esperança de que esse ideal vingue: que possamos todos fazer um dia um teatro quente, bonito e aristocrático. Em que tenhamos não subsídios mas orçamento e mesmo assim cobremos bilhetes à média de 10 euros para se ver as nossas criações adjectivadas como "espectáculo de variedades, uma criação transdisciplinar, ou… um projecto ricardopaisiano".
Vai-se abraçar um parente rico.
Eu não vou.
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Wednesday, November 24, 2010
10 euros ou o porquê de não abraçar um Teatro
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